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Documentário “Inside Job”

Assisti ontem o documentário vencedor do Oscar “Inside Job“. Posso afirmar que o filme é sensacional. O doc. mostra de forma bem clara e comprovada como um grupo de grande banqueiros deram um “golpe” na economia mundial.

Não vou entrar propriamente no roteiro (estágios reais da crise) do documentário, mas posso fazer uma analogia dizendo que, se eu ou qualquer outra pessoa “comum” tivesse uma empresa e vendesse um produto que a gente saiba é uma porcaria, que vai quebrar logo ali adiante. E mais do que isso, se eu fizesse apostas contra meu próprio produto, apostando que ele era um produto ruim e que se ele realmente quebrasse eu iria ganhar mais dinheiro quanto pior fosse os prejuízos de meus clientes. Tenho certeza que se uma empresa fizesse isso ela seria severamente processada por farsa. E foi exatamente isso que alguns bancos fizeram nos EUA, provocando uma crise que se espalhou por todo o mundo em 2008, e até hoje ainda se sente alguns de seus efeitos. Eles vendiam produtos financeiros que estavam fadados ao fracasso, com o conhecimento e consentimento deles, apostando alto contra o produto que vendiam. Desta forma, quando algumas instituições começaram a quebrar por que não conseguir mais segurar os prejuízos, além de ganhar muito dinheiro por conta das apostas que isso aconteceria, eles foram capazes que comprar bancos menores que quebraram e desta forma consolidar mais ainda o monopólio do mercado financeiro.

O filme é essencial, todo mundo deveria assistir. Veja o trailer:

Outro fato que me chamou muita atenção foi a participação do ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn. Ele faz duras críticas aos banqueiros americanos no filme, como o próprio diretor do filme diz durante uma entrevista com ele: “eu conversei com muitos banqueiros para fazer este filme, mas você foi o único que admitiu que eles (banqueiros) realmente queriam compensações financeiras”. Fica muito claro isso no filme, TODOS os entrevistados enrolam e não admitem que os banqueiros estavam errados, pode-se ver na expressão dos entrevistados que eles estão mentindo ou omitindo detalhes, mas nenhum tem a coragem de dizer que eles fizeram de propósito, que eles sabiam o que ia acontecer. Strauss-Kahn é o único que diz, sem citar nomes, o que alguns banqueiros diziam para ele: “Nós somos muito gananciosos, vocês precisam criar regulações, por que nós somos muito gananciosos”.

A questão aqui é a seguinte, não vou acusar nem absolver Strauss-Kahn de suas acusações de crime sexual nos EUA, mas uma coisa é certa, devia ter muita gente querendo a sua cabeça. Crime sexual é uma maneira muito fácil de destruir uma carreira política sem que se tenha provas concretas, é a palavra dele contra a da camareira, ninguém pode dizer com certeza o que aconteceu. Mesmo sem ter ido a julgamento ele já foi condenado pela imprensa e acabou com suas chances de concorrer nas eleições francesas. Pode ser que ele seja culpado, quem sabe, mas mesmo que se prove a inocência o estrago já foi feito. Coincidência ou não, é o mesmo problema que está acontecendo com Julian Assange, e esta estratégia já foi utilizada por diversas vezes na história da política americana.

Quem pode dizer quem está falando a verdade? Eu não posso. Mas depois de 11 de Setembro estou cada vez mais cético, acredito cada vez menos no que vem do Norte.

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Guerra virtual – Caso #HBGary

A Guerra Virtual segue acontecendo, o mais recente caso foi o da empresa de segurança virtual HBGary Federal:

Aaron Barr

“O grupo hacker Anonymous, conhecido pelos ataques de negação de serviço (DDoS) pró-WikiLeaks, invadiram as contas e sites da empresa HBGary, empresa de segurança digital que colabora com o FBI.

De acordo com o grupo, o motivo dos ataques ocorreram quando Aaron Barr, CEO da HBGary, informou que havia se infiltrado no grupo hacker e que teria descoberto as verdadeiras identidades dos líderes do Anonymous.

Os hackers como resposta invadiram os sites da HBGary, acessaram diversas contas de e-mail dos funcionários e agora controlam a conta oficial de Barr no Twitter, onde postam mensagens ofensivas e até dados pessoais do executivo, como endereço e número de documentos.

Mais de 60 mil mensagens de e-mail foram roubadas e colocadas à disposição para quem as quisesse baixar em sites de compartilhamento de arquivos como o The Pirate Bay.

A HBGary trabalhava em conjunto com o FBI para identificar os culpados pelos ataques promovidos pelos Anonymous contra empresas como PayPal, MasterCard e Visa, que na ocasião se posicionaram contra o WikiLeaks.

Segundo a empresa de segurança Sophos, desta vez, porém, o grupo não utilizou a tática comum de ataques DDoS e podem enfrentar sérios problemas por terem roubado dados privados.” (Fonte http://www.oriobranco.net/)

As empresas Palantir Technologies, HBGaryFederal, and Berico Technologies criaram este Dossiê: http://wikileaks.ch/IMG/pdf/WikiLeaks_Response_v6.pdf

Nele, entre outras coisas, aparecem informações de como ataca e enfraquecer o Wikileaks, dentre as estratégias estão:

“• A alimentação de combustível entre os grupos rivais. Desinformação. Crie mensagens em torno de ações para sabotar ou desacreditar a organização adversária. Enviar documentos falsos e, em seguida, chamar o erro.
• Criar preocupação com a segurança da infra-estrutura. Criar exposição de histórias. Se acreditarem que o processo não é seguro, eles estão acabados.
• Os ataques cibernéticos contra a infra-estrutura para obter dados sobre o documento requisitantes. Isso mata o projeto. Uma vez que os servidores estão em Suécia e França colocando uma equipe para obter o acesso é mais direto.
• Campanha de mídia para empurrar a natureza radical e irresponsável das atividades do wikileaks. Pressão sustentada. Não faz nada para os fanáticos, mas cria preocupação e dúvida entre os moderados.
• Procurar por vazamentos. Use a mídia social para identificar o perfil e comportamento controverso dos funcionários.”

Mas parece que o plano não deu certo, o gerente da empresa de segurança HBGary, Aaron Barr, dizia estar infiltrado no Grupo Anonymous e saber a identidade de alguns dos lideres do grupo. Mas antes que ele conseguisse concluir sua pesquisa e entregar para os federais, o infiltrado foi desmascarado. Alguns Hackers do grupo Anonymous descobriram a farsa e contra-atacaram. Eles roubaram milhares de E-mail, sabotaram a página oficial de sua empresa e sabotaram seu Twitter @Aaronbarr:

Parece que desta vez o plano de sabotagem não deu certo. Esta é uma estratégia muito comum quando pessoas atacam o governo ou pessoas muito poderosas, espalhar boatos para descreditar o acusante. Observem, isto acontece a todo momento, como está acontecendo neste momento com Julian Assange, sendo acusado de crimes sexuais, sem relação nenhuma com o que ele fez para chamar a atenção do Governo Americano, que foi divulgar os documentos secretos. Desta forma estão tentando, pelo menos, manchar a imagem da figura mais importante do Wikileaks.

Mas quando tentaram atacar o Anonymous eles não tiveram tanto sucesso, como o próprio dossiê contra o Wikileaks diz, “eles não são uma pessoa nem uma organização”, são um grupo de internautas unidos por uma causa maior.

Vai ser muito mais difícil enfraquecer este grupo. A guerra virtual está apenas começando, esta foi só mais uma batalha.

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Entrevista com Julian Assange feita por internautas Brasileiros.

Fonte: https://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/

Posted on 26/01/2011 by Natalia Viana

“Não somos uma organização exclusivamente da esquerda. Somos uma organização exclusivamente pela verdade e pela justiça”. Essa é apenas uma das muitas afirmações feitas pelo fundador e publisher do WikILeaks, Julian Assange, em entrevista aos internautas brasileiros.

A entrevista será publicada por diversos blogs, entre eles: Blog do Nassif, Viomundo, Nota de Rodapé, Maria Frô, Trezentos, Fazendo Média, FAlha de S Paulo, O Escrevinhador, Blog do Guaciara, Observatório do Direito à Comunicação, Blog da Dilma, Futepoca, Elaine Tavares, Blog do Mello, Altamiro Borges, Doutor Sujeira, Blog da Cidadania, Óleo do Diabo, Escreva Lola Escreva.

Julian, que enfrenta um processo na Suécia por crimes sexuais e atualmente vive sob monitoramento em uma mansão em Norfolk, na Inglaterra, concedeu a entrevista para internautas que enviaram perguntas a este blog.

Eu selecionei doze perguntas dentre as cerca de 350 que recebi – e não foi fácil. Acabei privilegiando perguntas muito repetidas, perguntas originais e aquelas que não querem calar. Infelizmente, nem todos foram contemplados. Todas as perguntas serão publicadas depois.

No final, os brasileiros não deram mole para o criador do WikiLeaks. Julian teve tempo de responder por escrito e aprofundar algumas questões.

O resultado é uma entrevista saborosa na qual ele explica por que trabalha com a grande mídia – sem deixar de criticá-la -, diz que gostaria de vir ao Brasil e sentencia: distribuir informação é distribuir poder.

Em tempo: se virasse filme de Hollywood, o editor do WikiLeaks diz que gostaria de ser interpretado por Will Smith.

A seguir, a entrevista.

Vários internautas – O WikiLeaks tem trabalhado com veículos da grande mídia – aqui no Brasil, Folha e Globo, vistos por muita gente como tendo uma linha política de direita. Mas além da concentração da comunicação, muitas vezes a grande mídia tem interesses próprios. Não é um contra-senso trabalhar com eles se o objetivo é democratizar a informação? Por que não trabalhar com blogs e mídias alternativas?

Por conta de restrições de recursos ainda não temos condições de avaliar o trabalho de milhares de indivíduos de uma vez. Em vez disso, trabalhamos com grupos de jornalistas ou de pesquisadores de direitos humanos que têm uma audiência significativa. Muitas vezes isso inclui veículos de mídia estabelecidos; mas também trabalhamos com alguns jornalistas individuais, veículos alternativos e organizações de ativistas, conforme a situação demanda e os recursos permitem.

Uma das funções primordiais da imprensa é obrigar os governos a prestar contas sobre o que fazem. No caso do Brasil, que tem um governo de esquerda, nós sentimos que era preciso um jornal de centro-direita para um melhor escrutínio dos governantes. Em outros países, usamos a equação inversa. O ideal seria podermos trabalhar com um veículo governista e um de oposição.

Marcelo Salles – Na sua opinião, o que é mais perigoso para a democracia: a manipulação de informações por governos ou a manipulação de informações por oligopólios de mídia?

A manipulação das informações pela mídia é mais perigosa, porque quando um governo as manipula em detrimento do público e a mídia é forte, essa manipulação não se segura por muito tempo. Quando a própria mídia se afasta do seu papel crítico, não somente os governos deixam de prestar contas como os interesses ou afiliações perniciosas da mídia e de seus donos permitem abusos por parte dos governos. O exemplo mais claro disso foi a Guerra do Iraque em 2003, alavancada pela grande mídia dos Estados Unidos.

Eduardo dos Anjos – Tenho acompanhado os vazamentos publicados pela sua ONG e até agora não encontrei nada que fosse relevante, me parece que é muito barulho por nada. Por que tanta gente ao mesmo tempo resolveu confiar em você? E por que devemos confiar em você?

O WikiLeaks tem uma história de quatro anos publicando documentos. Nesse período, até onde sabemos, nunca atestamos ser verdadeiro um documento falso. Além disso, nenhuma organização jamais nos acusou disso. Temos um histórico ilibado na distinção entre documentos verdadeiros e falsos, mas nós somos, é claro, apenas humanos e podemos um dia cometer um erro. No entanto até o momento temos o melhor histórico do mercado e queremos trabalhar duro para manter essa boa reputação.

Diferente de outras organizações de mídia que não têm padrões claros sobre o que vão aceitar e o que vão rejeitar, o WikiLeaks tem uma definição clara que permite às nossas fontes saber com segurança se vamos ou não publicar o seu material.

Aceitamos vazamentos de relevância diplomática, ética ou histórica, que sejam documentos oficiais classificados ou documentos suprimidos por alguma ordem judicial.

Vários internautas – Que tipo de mudança concreta pode acontecer como consequência do fenômeno Wikileaks nas práticas governamentais e empresariais? Pode haver uma mudança na relação de poder entre essas esferas e o público?

James Madison, que elaborou a Constituição americana, dizia que o conhecimento sempre irá governar sobre a ignorância. Então as pessoas que pretendem ser mestras de si mesmas têm de ter o poder que o conhecimento traz. Essa filosofia de Madison, que combina a esfera do conhecimento com a esfera da distribuição do poder, mostra as mudanças que acontecem quando o conhecimento é democratizado.

Os Estados e as megacorporações mantêm seu poder sobre o pensamento individual ao negar informação aos indivíduos. É esse vácuo de conhecimento que delineia quem são os mais poderosos dentro de um governo e quem são os mais poderosos dentro de uma corporação.

Assim, o livre fluxo de conhecimento de grupos poderosos para grupos ou indivíduos menos poderosos é também um fluxo de poder, e portanto uma força equalizadora e democratizante na sociedade.

Marcelo Träsel – Após o Cablegate, o Wikileaks ganhou muito poder. Declarações suas sobre futuros vazamentos já influenciaram a bolsa de valores e provavelmente influenciam a política dos países citados nesses alertas. Ao se tornar ele mesmo um poder, o Wikileaks não deveria criar mecanismos de auto-vigilância e auto-responsabilização frente à opinião pública mundial?

O WikiLeaks é uma das organizações globais mais responsáveis que existem.

Prestamos muito mais contas ao público do que governos nacionais, porque todo fruto do nosso trabalho é público. Somos uma organização essencialmente pública; não fazemos nada que não contribua para levar informação às pessoas.

O WikiLeaks é financiado pelo público, semana a semana, e assim eles “votam” com as suas carteiras.

Além disso, as fontes entregam documentos porque acreditam que nós vamos protegê-las e também vamos conseguir o maior impacto possível. Se em algum momento acharem que isso não é verdade, ou que estamos agindo de maneira antiética, as colaborações vão cessar.

O WikiLeaks é apoiado e defendido por milhares de pessoas generosas que oferecem voluntariamente o seu tempo, suas habilidades e seus recursos em nossa defesa. Dessa maneira elas também “votam” por nós todos os dias.

Daniel Ikenaga – Como você define o que deve ser um dado sigiloso?

Nós sempre ouvimos essa pergunta. Mas é melhor reformular da seguinte maneira: “quem deve ser obrigado por um Estado a esconder certo tipo de informação do resto da população?”

A resposta é clara: nem todo mundo no mundo e nem todas as pessoas em uma determinada posição. Assim, o seu médico deve ser responsável por manter a confidencialidade sobre seus dados na maioria das circunstâncias – mas não em todas.

Vários internautasEm declarações ao Estado de São Paulo, você disse que pretendia usar o Brasil como uma das bases de atuação do WikiLeaks. Quais os planos futuros?  Se o governo brasileiro te oferecesse asilo político, você aceitaria?

Eu ficaria, é claro, lisonjeado se o Brasil oferecesse ao meu pessoal e a mim asilo político. Nós temos grande apoio do público brasileiro. Com base nisso e na característica independente do Brasil em relação a outros países, decidimos expandir nossa presença no país. Infelizmente eu, no momento, estou sob prisão domiciliar no inverno frio de Norfolk, na Inglaterra, e não posso me mudar para o belo e quente Brasil.

Vários internautasVocê teme pela sua vida? Há algum mecanismo de proteção especial para você? Caso venha a ser assassinado, o que vai acontecer com o WikiLeaks?

Nós estamos determinados a continuar a despeito das muitas ameaças que sofremos. Acreditamos profundamente na nossa missão e não nos intimidamos nem vamos nos intimidar pelas forças que estão contra nós.

Minha maior proteção é a ineficácia das ações contra mim. Por exemplo, quando eu estava recentemente na prisão por cerca de dez dias, as publicações de documentos continuaram.

Além disso, nós também distribuímos cópias do material que ainda não foi publicado por todo o mundo, então não é possível impedir as futuras publicações do WikiLeaks atacando o nosso pessoal.

Helena Vieira – Na sua opinião, qual a principal revelação do Cablegate? A sua visão de mundo, suas opiniões sobre nossa atual realidade mudou com as informações a que você teve acesso?

O Cablegate cobre quase todos os maiores acontecimentos, públicos e privados, de todos os países do mundo – então há muitas revelações importantíssimas, dependendo de onde você vive. A maioria dessas revelações ainda está por vir.

Mas, se eu tiver que escolher um só telegrama, entre os poucos que eu li até agora – tendo em mente que são 250 mil – seria aquele que pede aos diplomatas americanos obter senhas, DNAs, números de cartões de crédito e números dos vôos de funcionários de diversas organizações – entre elas a ONU.

Esse telegrama mostra uma ordem da CIA e da Agência de Segurança Nacional aos diplomatas americanos, revelando uma zona sombria no vasto aparato secreto de obtenção de inteligência pelos EUA.

Tarcísio Mender e Maiko Rafael Spiess Apesar de o WikiLeaks ter abalado as relações internacionais, o que acha da Time ter eleito Mark Zuckerberg o homem do ano? Não seria um paradoxo, você ser o “criminoso do ano”, enquanto Mark Zuckerberg é aplaudido e laureado?

A revista Time pode, claro, dar esse título a quem ela quiser. Mas para mim foi mais importante o fato de que o público votou em mim numa proporção vinte vezes maior do que no candidato escolhido pelo editor da Time. Eu ganhei o voto das pessoas, e não o voto das empresas de mídia multinacionais. Isso me parece correto.

Também gostei do que disse (o programa humorístico da TV americana) Saturday Night Live sobre a situação: “Eu te dou informações privadas sobre corporações de graça e sou um vilão. Mark Zuckerberg dá as suas informações privadas para corporações por dinheiro – e ele é o ‘Homem do Ano’.”

Nos bastidores, claro, as coisas foram mais interessantes, com a facção pró- Assange dentro da revista Time sendo apaziguada por uma capa bastante impressionante na edição de 13 de dezembro, o que abriu o caminho para a escolha conservadora de Zuckerberg algumas semanas depois.

Vinícius Juberte – Você se considera um homem de esquerda?

Eu vejo que há pessoas boas nos dois lados da política e definitivamente há pessoas más nos dois lados. Eu costumo procurar as pessoas boas e trabalhar por uma causa comum.

Agora, independente da tendência política, vejo que os políticos que deveriam controlar as agências de segurança e serviços secretos acabam, depois de eleitos, sendo gradualmente capturados e se tornando obedientes a eles.

Enquanto houver desequilíbrio de poder entre as pessoas e os governantes, nós estaremos do lado das pessoas.

Isso é geralmente associado com a retórica da esquerda, o que dá margem à visão de que somos uma organização exclusivamente de esquerda. Não é correto. Somos uma organização exclusivamente pela verdade e justiça – e isso se encontra em muitos lugares e tendências.

Ariely Barata – Hollywood divulgou que fará um filme sobre sua trajetória. Qual sua opinião sobre isso?

Hollywood pode produzir muitos filmes sobre o WikiLeaks, já que quase uma dúzia de livros está para ser publicada. Eu não estou envolvido em nenhuma produção de filme no momento.

Mas se nós vendermos os direitos de produção, eu vou exigir que meu papel seja feito pelo Will Smith. O nosso porta-voz, Kristinn Hrafnsson, seria interpretado por Samuel L Jackson, e a minha bela assistente por Halle Berry. E o filme poderia se chamar “WikiLeaks Filme Noire”.

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Revolução digital – Não existem segredos no mundo digital.

O sub-título é provocativo, não acredito que não hajam mais segredos no mundo digital, os segredos sempre estiveram aí e sempre vão estar, mas estamos passando por uma revolução nesta era digital, e eu gostaria de chamar atenção para alguns aspectos.

Cada vez mais nossas vidas são expostas pela tecnologia, hoje temos uma série de redes social em que é possível saber sobre a vida e intimidade de outras pessoas, assim como tornar público a sua vida pessoal. Ao chegar em um emprego novo, uma pessoa que você nunca viu na vida lhe pergunta: Então você gosta de gatos? – Mas como assim? Eu não te conheço, como você sabe isso? – As pessoas se esquecem que se você colocou esta informação na internet ela está ai disponível para que qualquer um veja, e facilmente pode ser encontrada em alguma rede social ou até mesmo no google. Google vem inclusive sendo usado como um verbo nos EUA, tipo “google him” “Don’t google me”, isto é, vai lá e busca o nome dele no google para ver que cobras e lagartos podem aparecer. Então se você tem segredos que não gostaria que as outras pessoas descobrissem, é melhor manter eles bem longe da internet, por que, uma vez que seu segredo caia na rede, não tem mais volta. Da mesma forma que você cidadão comum não gostaria de ter seus segredos divulgados, imagine os segredos de estado de uma grande nação?

Antes da era da informática a comunicação era muito mas difícil. Documentos em papel eram muito bem guardados e vigiados, somente um espião treinado conseguiria invadir sorrateiramente um arquivo para roubar documentos confidenciais. E esta guerra de informação normalmente era travada entra nações em conflito, nunca chegavam aos olhos e ouvidos do cidadão, a não ser, é claro, que o governo tivesse um bom motivo para divulgar algo, como induzir a população para um lado ou outro. Após o fim de uma guerra, o país derrotado normalmente queimaria seus arquivos para que o inimigo não pudesse tomar conhecimento, e quase sempre os crimes de guerra virariam cinzas, literalmente.

Mas então o exército americano criou a internet, eles desejavam que a informação ficasse descentralizada, caso houvesse um ataque a um centro de informação, não estaria tudo perdido, eles poderiam continuar se comunicando pois os outros computadores também poderiam servir como detentores e emissores de informação — me pergunto do que é que os americanos reclamam agora, se foram eles que criaram este sistema genial. É claro que os mesmos segredos de estado, que os governos escondiam antigamente, continuam sendo escondidos hoje em dia. A diferença é que hoje, se por alguma eventualidade, eles caírem na internet, não tem mais volta, eles serão espalhados pelo mundo e nunca mais vão ser totalmente apagados.

Assisti esses dias um vídeo de uma declaração no departamento de segurança dos EUA, naquele púlpito com o brasão da águia e a bandeira dos EUA ao fundo, sabe? Pois bem, o sujeito dizia: exigimos que o WikiLeaks devolva imediatamente todos os arquivos que foram divulgados. Oi? Devolver? Como se isso fosse adiantar alguma coisa. Mesmo que o site retirasse as informações do ar e devolvesse todos os arquivos para o governo, várias pessoas já acessaram, vários já salvaram em seus computadores, vários já compilaram e colocaram em links para download, ou seja, o site pode sair do ar, mas a informação não vai se apagar nunca, sempre vai haver uma pessoa disposta a publicar novamente os arquivos.

Outro aspecto importante é que hoje em dia qualquer um pode ser emissor de informação. Todos estão conectados, todos tem celulares com câmeras, etc… Exceto alguns países da África e Oriente Médio, a maioria da população mundial já se encontra na era digital, e pode gerar seu conteúdo e mandar sua mensagem para o Mundo. Eu acredito fielmente que esta revolução veio para o bem da humanidade, explico: torna-se cada vez mais difícil cometer crimes de guerra sem que haja uma testemunha, e se esta testemunha tiver um celular na mão, no outro dia as imagens estarão circulando pela internet. A opinião pública internacional deve atuar no sentido da paz, e desta forma pressionar os agente de guerra no sentido de estabelecer a paz. Baseado nisto, eu acredito que hoje seja praticamente impossível que se trave uma nova guerra na Europa, por exemplo. Sim, ainda existem países que estão desconectados desta revolução digital, justamente nestes países que acontecem a maioria dos conflitos atuais. Mesmo assim, as poucas imagens vazadas destas guerras (como o caso do vídeo Collateral Murder divulgado pelo Wikileaks) já geram uma comoção internacional quase generalizada. Mas em breve estes países também estarão conectados, aí vai ficar cada vez mais difícil invadir um país, matar vários civis, sem que os olhos do mundo estejam observando.

Então observemos os atentados de 11 de Setembro nos EUA. Se estes atentados tivesses ocorrido nos anos 50/60, teria sido o crime perfeito, deixaria muito poucos rastros e pistas do ocorrido. Nós, aqui na América do Sul, leríamos os jornais, veríamos a repercussão na televisão, e NUNCA teríamos acesso a uma versão diferente da oficial, o fluxo de informação era muito mais difícil naquela época. Mas hoje é diferente, vivemos na era do vídeo, do YouTube, qualquer um pode ver, re-ver, dar pause, voltar, assistir novamente e tirar suas próprias conclusões. Eu já vi diversas vezes, já assisti inúmeras teorias e versões, uma coisa eu posso dizer, é MUITO difícil de engolir a versão Oficial com tantas perguntas que o governo se recusa a responder. Nem vou entrar no assunto, a informação está aí disponível na internet para quem tiver interesse em ver. Eu garanto que a teoria de que o Governo Americano teve participação nos atentados é bastante plausível e bem fundamentada.

Eu utilizei o exemplo dos atentados para destacar o fato de que hoje o fluxo de informação não segue apenas o caminho linear das grande redes de comunicação, todos podemos produzir conteúdo, dar a nossa opinião, investigar, denunciar, gravar e jogar na internet para que o mundo inteiro veja. Estamos passando por uma revolução digital, a revolução da informação. Minha esperança é a de que ela veio para o bem da humanidade.

“And now it’s Big Brother who’s being watched … by us!” (E agora é o Big Broder que está sendo observado… por nós) – Michael Moore

Estamos de olho!

Atualização: A revolução digital que eu comentei já começa a aparecer e dar seus frutos, leia esta matéria do Terra com o seguinte título:

Ativismo na internet acelerou queda de ditador na Tunísia.

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Power to the People. Poder para o Povo.

“That whenever any Form of Government becomes destructive…, it is the Right of the People to alter or to abolish it, and to institute new Government, laying its foundation on such principles and organizing its powers in such form…”

“Sempre que qualquer forma de Governo se tornar destrutivo…, é direito do povo alterá-lo ou aboli-lo, e instituir um novo Governo, baseando-o em tais princípios e organizando seus poderes de tal forma…”

“Coragem é contagioso” Julian Assange


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Começou a guerra virtual.

“A primeira infoguerra séria começou agora.
O campo de batalhas é o WikiLeas.
E vocês são os soldados.”
– John Perry Barlow

A guerra anunciada contra aqueles que boicotaram o WikiLeaks e seu fundador Julian Assange já começou.

Ontem o coletivo intitulado Anonymous derrubou o site do MasterCard e, conforme anunciado via Twitter, o site de cartões de crédito Visa foi tirado do ar às 19h em ponto. (@Anon_Operation NEXT TARGET: WWW.VISA.COM | TR:30 MINS. #ddos #wikiealsk #payback)

Eu mesmo presenciei o ato e registrei:

Estes são apenas alguns exemplos dos atos orquestrados pelo grupo. Várias outras instituições estão sofrendo ataques.

Desde ontem estão aparecendo na internet algumas cartas e manifestos apresentando os motivos e objetivos do grupo. Não é possível comprovar a veracidade de nenhum deles, até por que o grupo é anônimo, mas com certeza mostra o ponto de vista deste grupo. Neste link pode-se ler a primeira carta divulgada sobre a Operação Vingar Assange: http://tsavkko.blogspot.com/2010/12/operacao-vingar-assange-hackers-em.html#ixzz17d66GWdo

Aqui tem o Manifesto Anonymous Operation, descrevendo o que é o grupo:

E aqui uma versão um pouco modificada direcionada aos veículos de comunicação brasileiros:

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Blog do Tsavkko – The Angry Brazilian: Operação Vingar Assange! Hackers em defesa do WikiLeaks

Blog do Tsavkko – The Angry Brazilian: Operação Vingar Assange! Hackers em defesa do WikiLeaks.

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